Política
Bilhões em benefícios, mas efeito eleitoral ainda limitado: pesquisa mantém disputa aberta e anima oposição
Pacote bilionário, inflação e custo de vida: por que a eleição continua em aberto apesar da máquina governamental

A divulgação da mais recente pesquisa Genial/Quaest reforça uma percepção que vem ganhando força nos bastidores políticos: o volumoso pacote de medidas econômicas e sociais anunciado pelo governo Lula ainda não conseguiu produzir uma vantagem eleitoral capaz de praticamente definir a disputa presidencial.
Segundo o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 44% das intenções de voto, dois pontos acima da pesquisa anterior, enquanto o senador Flávio Bolsonaro registra 38%, três pontos abaixo do último levantamento. Apesar da diferença de seis pontos, o cenário continua altamente competitivo, especialmente considerando que a campanha ainda não entrou em sua fase decisiva.
O que chama atenção é a comparação entre o esforço fiscal realizado pelo atual governo e o adotado na eleição de 2022. Até maio de 2026, o governo Lula já havia destinado aproximadamente R$ 184,7 bilhões em programas e medidas de impacto social e econômico, enquanto no mesmo período de 2022 o governo Jair Bolsonaro havia desembolsado cerca de R$ 74,5 bilhões. Em outras palavras, o volume de recursos empregados pelo atual governo representa mais que o dobro daquele utilizado pelo seu antecessor.
Mesmo diante desse investimento bilionário, o retorno nas pesquisas permanece modesto. Entre as principais iniciativas de forte apelo popular estão:
- Redução e ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda;
- Novo Desenrola Brasil para renegociação de dívidas;
- Programa de subsídio ao gás de cozinha;
- Debates sobre mudanças na jornada de trabalho 5×2;
- Outras ações voltadas ao aumento do poder de compra e ao alívio financeiro das famílias.
Na leitura de setores da oposição, o fato de essas medidas ainda não terem provocado uma disparada nas intenções de voto demonstra que parte significativa do eleitorado mantém uma posição consolidada e que o desgaste do governo continua limitando o potencial de crescimento do presidente.
Outro fator considerado relevante é que boa parte da população ainda não está totalmente envolvida com o debate eleitoral. As festas juninas, especialmente no Nordeste, e outros acontecimentos do calendário nacional acabam ocupando o centro das atenções. Historicamente, o interesse pela eleição costuma aumentar apenas quando começam a propaganda oficial, os debates e a reta final da campanha.
Esse cenário alimenta o otimismo entre apoiadores de Flávio Bolsonaro. A avaliação é que, se mesmo após um pacote estimado em R$ 184,7 bilhões o presidente registra apenas uma evolução discreta nas pesquisas, existe espaço para uma recuperação da oposição quando o eleitor passar a acompanhar mais intensamente a disputa.
Para esse grupo, a eventual reativação do voto antipetista e o aumento da participação política do eleitorado podem tornar a eleição ainda mais equilibrada. Se o governo não conseguir converter suas políticas públicas em crescimento consistente de popularidade, a vantagem atual poderá ser insuficiente para garantir uma reeleição tranquila.
Assim, a fotografia revelada pela Quaest sugere que o enorme esforço financeiro do governo ainda não produziu um efeito eleitoral proporcional. A campanha entra na reta decisiva com Lula liderando, mas sem abrir uma distância confortável, enquanto a oposição aposta que o verdadeiro julgamento das urnas acontecerá quando o país voltar definitivamente sua atenção para a disputa presidencial.

































