Política
STF no centro da eleição de 2026
Quando o excesso de protagonismo vira combustível para a oposição

O Brasil caminha para a eleição de 2026 com um dado incontestável: o Supremo Tribunal Federal será um dos principais atores da disputa. Não porque deveria, mas porque escolheu se colocar nesse lugar. Ao longo dos últimos anos, a Corte ultrapassou seu papel constitucional e assumiu uma função política que não lhe cabe, tornando-se o epicentro das tensões nacionais.
Não por acaso, a bandeira do impeachment de ministros do STF já surge como uma das mais fortes no Senado e tende a dominar parte do debate eleitoral. O próximo presidente da República indicará três ministros – Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes –, o que só aumenta o peso político desse embate. É inevitável que o tema seja explorado pela oposição, que encontra nesse desgaste do Supremo uma poderosa munição para ganhar força.
O Supremo se transformou, por escolha própria, em “poder moderador”, opinando sobre políticas públicas, decretando estados de coisas inconstitucionais e interferindo diretamente em decisões políticas. Mais do que isso: ministros passaram a usar redes sociais e falas públicas como palanque, mergulhando em disputas que deveriam estar fora da esfera judicial.
Desde 2019, com os inquéritos abertos pela própria Corte, instalou-se uma espécie de regime de exceção dentro da democracia. O STF deixou de ser guardião da Constituição para se comportar como ator político. Essa postura minou a confiança em sua imparcialidade e alimentou a narrativa de que o tribunal passou a legislar e governar sem voto popular.
O resultado desse processo é claro: ao se manter no centro do debate, o STF acaba se transformando em alvo preferencial e, sem querer, fortalece exatamente aqueles que mais o criticam. A oposição já percebeu isso e deve explorar o desgaste da Corte como bandeira eleitoral em 2026.
Aos 37 anos da Constituição, o Brasil deveria estar consolidando suas instituições. Em vez disso, discute novamente os limites do jogo democrático porque um poder decidiu ocupar o espaço dos outros. Se o Supremo insiste em manter o protagonismo político, não terá apenas perdido o equilíbrio institucional – terá dado à oposição o combustível necessário para chegar ao poder
































