
Enquanto o mundo debate os impactos do protecionismo norte-americano e das decisões controversas de líderes globais, o Brasil vive um tarifaço doméstico ainda mais cruel — e, ao contrário do que se pensa, ele não veio de fora. Ele parte de dentro, das entranhas de um governo que parece não entender ou simplesmente ignora os efeitos destrutivos de suas próprias decisões econômicas.
Não passa pela cabeça da atual gestão que estamos vivendo um tarifaço pior que o americano. Aqui, não é um, mas nove Trumps internos que consomem o dinheiro do cidadão, destroem empresas e sufocam o setor produtivo. Cada novo tributo, cada nova taxa, cada reajuste impiedoso corrói salários, empregos e oportunidades.
O discurso do governo pinta o empresário como o vilão, o insensível que se recusa a pagar salários mais altos. Mas não reconhece que o que impede esse pagamento digno é o próprio Estado, que com suas garras fiscais arranca mais do que o razoável da folha, da produção e do consumo. Empresários poderiam pagar o dobro, gerar mais empregos e investir em inovação — se não estivessem sendo assaltados institucionalmente.
A retórica de que se “ajuda as exportadoras” soa como deboche. Na prática, o que se vê é o oposto: estamos afundando as exportadoras, sufocando as importadoras, destruindo o comércio, estrangulando a indústria nacional e implodindo o setor de serviços. Nada escapa à máquina arrecadatória.
Enquanto isso, o povo paga de bacana. Paga caro, calado e sem reação. Quando Donald Trump impõe barreiras ao Brasil, reagimos. Mas quando o nosso próprio governo nos devora por dentro, aceitamos com resignação.
Está na hora de inverter essa lógica. Não se trata mais de protestar por ideologia, mas por sobrevivência. O brasileiro precisa parar de temer o que vem de fora e começar a enfrentar o que nos corrói por dentro.

































