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COLUNA WENSE: A DIFÍCIL COMPOSIÇÃO DA MAJORITÁRIA GOVERNISTA

COLUNA WENSE, SEGUNDA, 4 DE OUTUBRO DE 2021.
A DIFÍCIL COMPOSIÇÃO DA MAJORITÁRIA GOVERNISTA
Comentário da Coluna Wense de ontem, domingo (3), irritou alguns petistas, que ficaram tiriricas da vida com a afirmação de que a cúpula nacional do PT, obviamente com o consentimento de Lula, vai tentar convencer Jaques Wagner a desistir da pré-candidatura ao governo da Bahia.
A causa maior, que é eleger Lula para o terceiro mandato, cessa a menor, o retorno de Wagner ao cobiçado comando do Palácio de Ondina. O foco, a discussão, a pauta principal do lulopetismo é Lula.
A desistência do ex-governador evitaria uma preocupante fissura na base aliada. É evidente que o ex-presidente Lula tem o maior cuidado para não magoar Wagner. Mas nos bastidores trabalha para fritar a postulação do companheiro. Na linha de frente, nas manobras para fazer o senador desistir, está a deputada federal Gleisi Hoffamann.
Gleisi não faz nada, não dar um passo de meio metro sem ouvir Lula. É o manda quem pode, obedece quem tem juízo.
Não à toa que o ex-mandatário do Brasil a reconduziu ao cargo de dirigente-mor nacional do Partido dos Trabalhadores.
Inocentemente, o que causa estranheza, já que Wagner é tido como um esperto articulador político, que sabe muito bem onde as cobras dormem, sejam elas venenosas ou não, o ex-governador parece acreditar que está tudo sob controle.
A composição da majoritária defendida por Lula, em conversas reservadas, e com todo cuidado para não serem vazadas, é a mesma do senador Angelo Coronel (PSD) : Otto Alencar governador, Rui Costa senador e o vice sendo indicado pelo vice-governador João Leão, presidente estadual do Progressistas. As três maiores siglas – PSD, PT e PP – ficariam contempladas, evitando assim um racha na sustentação política do governo Rui Costa, que é o desejo de ACM Neto (DEM).
O que vem impedindo essa composição, deixando as lideranças do lulopetismo com pulgas atrás das orelhas, é o fato de que, com a desincompatibilização de Rui Costa para concorrer ao Senado da República, João Leão assume a titularidade do governo por longos nove meses. Vale lembrar que o PP pode ser o próximo abrigo partidário do presidente Bolsonaro, que já deixou nas entrelinhas para Ciro Nogueira, o chefe nacional da sigla, atual ministro da Casa Civil, que ele tem que enquadrar os progressistas no que diz respeito ao segundo mandato (reeleição). É essa desconfiança em ter um governador de um partido que vai apoiar Bolsonaro, que preocupa o PT, o que termina ajudando Wagner a consolidar seu nome como o candidato da base aliada.
No entanto, em se tratando de política, lembrando a máxima de que nela pode acontecer de tudo, o que parece impossível termina virando realidade, não se pode descartar que Wagner sabe de todo o jogo. O ex-governador cederia a cabeça da majoritária para Otto Alencar, continuaria como senador, e Lula teria uma conversa com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, sobre um possível apoio ao seu nome na sucessão de 2022 como contrapartida a desistência de Wagner.
Vamos ver o que vai acontecer em 2022, principalmente no mês de abril com a abertura da janela partidária, e nos dias que antecedem as convenções dos partidos, que começam a ser preparadas no início de junho.
No processo político, nesse mundo movediço e traiçoeiro, o menos esperto consegue dar beliscão em azulejo.
Coluna do Wense!
































