{"id":7398,"date":"2023-07-20T09:08:38","date_gmt":"2023-07-20T12:08:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.programapodcast.com.br\/v1\/?p=7398"},"modified":"2023-07-20T09:08:38","modified_gmt":"2023-07-20T12:08:38","slug":"deixou-de-ser-surpreendente-ver-infartos-em-pessoas-de-30-e-40-anos-a-historia-mudou-diz-cardiologista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.programapodcast.com.br\/v1\/2023\/07\/20\/deixou-de-ser-surpreendente-ver-infartos-em-pessoas-de-30-e-40-anos-a-historia-mudou-diz-cardiologista\/","title":{"rendered":"&#8216;Deixou de ser surpreendente ver infartos em pessoas de 30 e 40 anos. A hist\u00f3ria mudou&#8217;, diz cardiologista"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\">O cardiologista \u00c1lvaro Avezum, do Hospital Oswaldo Cruz, est\u00e1 acostumado a ouvir uma cantilena de justificativas dos pacientes que chegam aos seus cuidados. Uns dizem que sa\u00fade vai mal porque \u00e9 preciso trabalhar muito para acumular patrim\u00f4nio r\u00e1pido, ou ent\u00e3o que n\u00e3o h\u00e1 onde fazer refei\u00e7\u00f5es balanceadas, da\u00ed a op\u00e7\u00e3o por alimentos com baixo valor nutricional. H\u00e1 ainda os que fumam, alguns que n\u00e3o controlam o peso. Tamb\u00e9m aparecem os que n\u00e3o tomam conta do volume do estresse di\u00e1rio, entre outras derrapadas na cartilha de autocuidado.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\">O especialista explica que a vida regrada, embora pare\u00e7a uma conversa pouco original, \u00e9 justamente o atalho para anos bem vividos e para manter dist\u00e2ncia de problemas cardiovasculares s\u00e9rios (leia-se infarto e o acidente vascular cerebral, o AVC, para ficar em dois exemplos). \u00danico especialista brasileiro no recente estudo internacional, com 80 pa\u00edses, que avaliou os seis grupos de alimentos \u00fateis para ficar longe do risco de doen\u00e7as cardiovasculares, afirmou ainda que a pesquisa \u00e9 importante para munir os brasileiros de informa\u00e7\u00e3o. Conhecer, inclusive, os pr\u00f3prios indicadores de sa\u00fade \u00e9 um caminho para ficar longe de complica\u00e7\u00f5es s\u00e9rias, ele defende. Veja os melhores trechos da entrevista:<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\"><strong>O que h\u00e1 de novo neste estudo internacional que determina os alimentos cuja falta est\u00e1 associada \u00e0 piora de doen\u00e7as cardiovasculares?<\/strong><br \/>\nSempre h\u00e1 alguma novidade em termos de dietas o que pode comer e n\u00e3o pode, o que leva a muitas d\u00favidas e incertezas para a popula\u00e7\u00e3o. Veja, at\u00e9 havia algumas informa\u00e7\u00f5es de outros pa\u00edses, mas n\u00e3o necessariamente aplicadas \u00e0 nossa realidade. Agora temos uma an\u00e1lise com representa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul e, claro, do Brasil. O foco do estudo foi justamente avaliar o que j\u00e1 \u00e9 consumido de saud\u00e1vel pelas pessoas, assim elas n\u00e3o ficam confusas. Faz bem o consumo de frutas, vegetais e legumes, peixes, castanhas e latic\u00ednios integrais. E sobre o carboidrato, te digo: quanto mais, pior.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\"><strong>Quais fatores s\u00e3o determinantes para desenvolver um quadro s\u00e9rio de doen\u00e7a cardiovascular?<\/strong><br \/>\nFocando em infartos, AVC e insufici\u00eancia card\u00edaca, temos dez fatores que s\u00e3o respons\u00e1veis por 90% dos casos. S\u00e3o eles: falta de preven\u00e7\u00e3o e controle de press\u00e3o arterial, obesidade abdominal, cigarro, baixa for\u00e7a muscular, diabetes, alimenta\u00e7\u00e3o pouco saud\u00e1vel, baixa escolaridade, sedentarismo, colesterol e depress\u00e3o. Repare que a maior parte dos fatores dizem respeito \u00e0 preven\u00e7\u00e3o e n\u00f3s j\u00e1 sabemos do qu\u00ea. Parece algo simples? Porque \u00e9. Quanto mais voc\u00ea estiver longe de pontuar nesses fatores negativos, mais distante voc\u00ea estar\u00e1 de ocorr\u00eancias s\u00e9rias.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\"><strong>Como a baixa escolaridade afeta a sa\u00fade do cora\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nIndependente da qualidade do ensino em cada pa\u00eds, em estudos assim avalia-se a quantidade de anos que a pessoa passou na escola. Esse gradiente passa entre baixa escolaridade \u2014 os n\u00e3o alfabetizados ou com menos de quatro anos na escola \u2014 em compara\u00e7\u00e3o com quem tem n\u00edvel superior. Esse fator interage com outras vari\u00e1veis (como hipertens\u00e3o e tabagismo), mas podemos considerar que esse individuo com baixa escolaridade pode entender menos o que \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o, ou ter menos ades\u00e3o terap\u00eautica. S\u00e3o pessoas que podem estar sem o poder da informa\u00e7\u00e3o para cuidar da pr\u00f3pria sa\u00fade, portanto, vulner\u00e1veis aos eventos graves e \u00e0 mortalidade. \u00c9 algo bem s\u00e9rio.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\"><strong>Como a displic\u00eancia dos pacientes afeta o desfecho negativo dos quadros?<\/strong><br \/>\nAqui no Brasil, ap\u00f3s o infarto, somente 30% dos pacientes que tiveram alta faz uso de aspirina (medicamento usado como anticoagulante) no caso da sinvastatina (para reduzir o colesterol), n\u00e3o chega a 10%. A ades\u00e3o terap\u00eautica \u00e9 sim um problema, tem gente que acha que quando n\u00e3o est\u00e1 sentindo nada, n\u00e3o precisa tomar medicamento. Como se fosse uma dor de cabe\u00e7a, s\u00f3 toma quando h\u00e1 problema. Temos que dizer \u00e0s pessoas com press\u00e3o alta que mesmo n\u00e3o sentindo nada, elas ter\u00e3o que tomar rem\u00e9dio a vida inteira. \u00c9 preciso explicar a essas pessoas que mesmo sem os sintomas, seguir com aquele rem\u00e9dio far\u00e1 com que elas vivam mais e melhor. Falta empoderar o paciente com as informa\u00e7\u00f5es que n\u00f3s m\u00e9dicos temos. Nem todo mundo que conhece o tratamento segue \u00e0 risca e quem n\u00e3o est\u00e1 informado seguir\u00e1 menos ainda. Isso \u00e9 algo muito s\u00e9rio. A cardiologia precisa ter a mesma vis\u00e3o em que h\u00e1 no c\u00e2ncer. Quando algu\u00e9m recebe um diagn\u00f3stico oncol\u00f3gico, ele segue o tratamento, tem pavor em n\u00e3o segui-lo. E infarto e AVC tem maior mortalidade que muitos tumores, e a pessoa pega leve. H\u00e1 uma vis\u00e3o muito pueril, muito adolescente sobre as doen\u00e7as cardiovasculares.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\"><strong>As doen\u00e7as do cora\u00e7\u00e3o est\u00e3o rejuvenescendo?<\/strong><br \/>\nNa minha \u00e9poca de residente, h\u00e1 uns 35 anos, o infarto era da quinta e sexta d\u00e9cada da vida. O AVC, na sexta e s\u00e9tima d\u00e9cada. Quando a gente via um infarto em pessoas de 30 e poucos anos, cham\u00e1vamos os colegas para ver o que estava acontecendo. Agora, isso deixou de ser surpreendente. A hist\u00f3ria mudou, h\u00e1 infartos nos 30 e 40 anos e AVC nos 40 e 50. A doen\u00e7a cardiovascular foi antecipada. A altera\u00e7\u00e3o do perfil de risco mudou. A popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 colocando os p\u00e9s nos fatores de risco antes. Estou falando de alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o saud\u00e1vel e do sedentarismo, mais prevalentes. E n\u00e3o subestime, tamb\u00e9m h\u00e1 impacto da forte carga estressora das profiss\u00f5es. Basta olhar nas escolas e faculdades o numero de jovens tomando ansiol\u00edticos e antidepressivos. Nos colocamos num estilo de vida t\u00f3xico.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\"><strong>A vida contempor\u00e2nea encaminha a gente pra justamente deixar esse equil\u00edbrio de lado?<\/strong><br \/>\nAh, espera ai. A vida empurra ou a gente faz essas escolhas? Tamb\u00e9m escolhemos essa vida. Nessa rotina atual vamos entrar em rota de colis\u00e3o (com a sa\u00fade) mais cedo que esper\u00e1vamos? Sim. Voc\u00ea quer entrar em rota de colis\u00e3o? N\u00e3o. Ent\u00e3o vai ter que mudar. L\u00f3gico que a mudan\u00e7a n\u00e3o acontecer\u00e1 num estalar de dedos. \u00c9 preciso topar a jornada.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\"><strong>O risco de doen\u00e7as cardiovasculares \u00e9 diferente para homens e mulheres?<\/strong><br \/>\nHoje a preval\u00eancia da hipertens\u00e3o assola os dois sexos. O estilo de vida das mulheres hoje, comparado h\u00e1 30, 40 anos, mudou para pior. O risco est\u00e1 empatando com o a gravidade para o homem. A preval\u00eancia de hipertens\u00e3o \u00e9 ligeiramente maior neles, mas na passagem da menopausa, voc\u00ea come\u00e7a a ter similaridade na possibilidade de agravamento cardiovascular para ambos. Isso porque h\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o hormonal, que faz as mulheres terem mais gordura abdominal. H\u00e1 ainda maior sedentarismo, estresse e depress\u00e3o o que aumenta o risco de agravamento de doen\u00e7as. \u00c9 um tempo da vida que requer uma aten\u00e7\u00e3o maior para elas.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\"><strong>O Hospital Oswaldo Cruz tem um novo centro de ci\u00eancia da longevidade. Quais s\u00e3o os fatores decisivos para viver muito?<\/strong><br \/>\nQuando falamos de ci\u00eancia da longevidade n\u00e3o estou falando s\u00f3 de aumento de anos de vida, mas de mais anos com qualidade. Anos de vida com qualidade significa menor ocorr\u00eancias cardiovasculares, de c\u00e2ncer, menor ocorr\u00eancia de doen\u00e7a respirat\u00f3rias e neurol\u00f3gicas. \u00c9 a compress\u00e3o da morbidade. Aliado a isso, \u00e9 importante retardar ou prevenir a ocorr\u00eancia de d\u00e9ficit cognitivo. Podemos considerar ainda a sa\u00fade mental e a sa\u00fade espiritual, que envolve, por exemplo, a disposi\u00e7\u00e3o ao perd\u00e3o, prop\u00f3sito e a disposi\u00e7\u00e3o com a vida. Por fim, h\u00e1 determinantes sociais que tem a ver com escolaridade e renda. Tudo isso influencia na longevidade.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\"><strong>Ser espiritualizado ajuda em tratamentos, mas a aus\u00eancia de espiritualidade pesa pro lado negativo?<\/strong><br \/>\nSem d\u00favida. Quando falamos, por\u00e9m, em espiritualidade, cada uma analisa com seu vi\u00e9s. Aqui consideramos os valores morais, mentais, emocionais que todos t\u00eam. Que norteiam o que pensamos e nossas atitudes. Como lidamos a gente mesmo e com os outros. Para chegar a essas conclus\u00f5es avaliamos coisas pass\u00edveis de observa\u00e7\u00e3o e de mensurar. Usamos question\u00e1rios aprovados sobre, por exemplo, altru\u00edsmo e prop\u00f3sitos de vida. Ou seja, indiv\u00edduos que tem proposito, satisfa\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria vida, disposi\u00e7\u00e3o ao perd\u00e3o, gratid\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o social, viver\u00e3o melhor. A aus\u00eancia disso vai na dire\u00e7\u00e3o oposta.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cardiologista \u00c1lvaro Avezum, do Hospital Oswaldo Cruz, est\u00e1 acostumado a ouvir uma cantilena de justificativas dos pacientes que chegam aos seus cuidados. 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