{"id":687,"date":"2021-07-13T13:28:43","date_gmt":"2021-07-13T16:28:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.programapodcast.com.br\/v1\/?p=687"},"modified":"2021-07-13T13:28:43","modified_gmt":"2021-07-13T16:28:43","slug":"pf-apura-ligacao-entre-dono-da-precisa-e-suposto-operador-de-renan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.programapodcast.com.br\/v1\/2021\/07\/13\/pf-apura-ligacao-entre-dono-da-precisa-e-suposto-operador-de-renan\/","title":{"rendered":"PF apura liga\u00e7\u00e3o entre dono da Precisa e suposto operador de Renan"},"content":{"rendered":"<p>PF apura liga\u00e7\u00e3o entre dono da Precisa e suposto operador de Renan<br \/>\nGlobal Gest\u00e3o em Sa\u00fade, cujo presidente \u00e9 Francisco Maximiano, teria transferido R$ 9 milh\u00f5es para empresa de Milton Lyra. Todos os citados negam ter cometido irregularidades<\/p>\n<p>O senador Renan Calheiros, relator da CPI da Covid-19S\u00e9rgio Lima\/Poder360 &#8211; 7.jul.2021<br \/>\nPAULO ROBERTO NETTO<\/p>\n<p>13.jul.2021 (ter\u00e7a-feira) &#8211; 6h00<br \/>\nA Pol\u00edcia Federal investiga repasses milion\u00e1rios feitos pela Global Gest\u00e3o em Sa\u00fade, cujo presidente \u00e9 Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, a um suposto operador de propinas ligado ao senador Renan Calheiros (MDB-AL).<\/p>\n<p>A apura\u00e7\u00e3o \u00e9 um desdobramento do inqu\u00e9rito aberto em 2017 no STF (Supremo Tribunal Federal) que mira supostas propinas destinadas a Calheiros por contratos fraudulentos envolvendo o fundo de pens\u00e3o dos Correios, o Postalis. O senador nega ter cometido qualquer irregularidade.<\/p>\n<p>Receba a newsletter do Poder360<br \/>\nseu e-mail<br \/>\nO caso envolvendo Maximiano foi inclu\u00eddo neste inqu\u00e9rito com base na dela\u00e7\u00e3o premiada do advogado Alexandre Romano, que relatou ao MPF (Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal), em 2015, o que teria sido um pagamento de propina por um contrato de seguro de medicamentos firmado pela Global e os Correios.<\/p>\n<p>O esquema levou ao pagamento de propinas de 2011 a 2015, pagas a Romano por meio de contratos fict\u00edcios firmados entre seu escrit\u00f3rio de advocacia e outras duas empresas com a Global Gest\u00e3o em Sa\u00fade. Os repasses come\u00e7aram em R$ 50.000 mensais e chegaram a R$ 200 mil por m\u00eas, segundo o delator. Francisco Maximiano, dono da Precisa, aparece na Receita Federal como presidente da Global.<\/p>\n<p>A dela\u00e7\u00e3o n\u00e3o cita ou envolve diretamente Renan Calheiros. A rela\u00e7\u00e3o entre os casos passou a ser investigada ap\u00f3s a PF identificar que de 2011 a 2015, mesmo per\u00edodo do suposto esquema delatado por Romano, a Global transferiu R$ 9 milh\u00f5es a duas empresas ligadas a Milton Lyra, apontado como suposto operador financeiro de Calheiros.<\/p>\n<p>\u201cEsta autoridade policial considera que h\u00e1 ind\u00edcios de que, direta ou indiretamente, Milton Lyra ainda se beneficiou de fraudes aos Correios\/Postalis por meio do esquema revelado pelo colaborador Alexandre Correa de Oliveira Romano (\u2026), que teriam ocorrido por meio da empresa Global Gest\u00e3o em Sa\u00fade S.A, vinculada ao empres\u00e1rio Francisco Emerson Maximiano\u201c, escreveu o delegado Wedson Lopes em despacho enviado ao STF.<\/p>\n<p>\u201cNesse particular, cabe registrar que os dados banc\u00e1rios decorrentes da A\u00e7\u00e3o Cautelar n\u00ba 4275 demonstram que, entre os anos de 2011 a 2015, a empresa GLOBAL transferiu mais de R$ 9.000.000,00 para empresas ligadas a Milton Lyra, suposto operador financeiro do senador Renan Calheiros\u201c, prosseguiu Lopes. Eis a \u00edntegra (2 MB).<\/p>\n<p>O delegado destacou que, somente em fevereiro de 2013, a Global transferiu R$ 7,5 milh\u00f5es para a empresa Sistema M de Comunica\u00e7\u00e3o, de Milton Lyra, em um intervalo de apenas 2 dias. A hip\u00f3tese trabalhada pela PF \u00e9 a de que Renan Calheiros, por meio de Lyra, tamb\u00e9m teria se beneficiado do suposto esquema envolvendo Francisco Maximiano.<\/p>\n<p>Em 1\u00ba de fevereiro de 2021, a PF pediu a prorroga\u00e7\u00e3o das investiga\u00e7\u00f5es por mais 60 dias. A solicita\u00e7\u00e3o teve aval da PGR (Procuradoria Geral da Rep\u00fablica) e foi autorizada pelo ministro Roberto Barroso, relator do inqu\u00e9rito, em mar\u00e7o. O inqu\u00e9rito foi prorrogado mais uma vez em junho de 2021.<\/p>\n<p>O objetivo da PF \u00e9 preencher lacunas ainda n\u00e3o solucionadas na investiga\u00e7\u00e3o, como a identifica\u00e7\u00e3o e confirma\u00e7\u00e3o do suposto m\u00e9todo de recebimento de propinas por parte de Renan Calheiros, quais servidores dos Correios\/Postalis teriam sido nomeados ao cargo por influ\u00eancia do senador e quais atos foram praticados em benef\u00edcio das fraudes ao fundo da estatal.<\/p>\n<p>Sobre o caso envolvendo a Global, a PF apontou a necessidade de an\u00e1lise da quebra do sigilo telem\u00e1tico de Milton Lyra para identificar cita\u00e7\u00f5es a Francisco Maximiano, que foi intimado a prestar esclarecimentos sobre o caso.<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Federal tamb\u00e9m enviou of\u00edcio \u00e0 Global Gest\u00e3o em Sa\u00fade requisitando todos os contratos, notas fiscais e comprovantes de pagamentos feitos \u00e0s duas empresas de Milton Lyra, detalhando o repasse de R$ 7,5 milh\u00f5es em 2013. A Global tamb\u00e9m deveria informar quais funcion\u00e1rios lidaram com o repasse e quais servi\u00e7os foram prestados.<\/p>\n<p>Milton Lyra \u00e9 um conhecido operador de Bras\u00edlia. Em 2016, seu nome apareceu na investiga\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie Panama Papers. Documentos revelaram Lyra como benefici\u00e1rio da offshore Venilson Corp, aberta em fev.2013 no Panam\u00e1.<\/p>\n<p>Essa empresa foi usada para abrir uma conta numa ag\u00eancia do UBS na Alemanha. O banco encerrou as rela\u00e7\u00f5es com o brasileiro cerca de 2 meses depois, quando houve uma tentativa de movimentar uma alta quantia pela conta sem que estivesse esclarecida a origem do dinheiro. Minton Lyra negou ter tentado movimentar uma quantia vultosa nessa conta. Admitiu, entretanto, n\u00e3o ter declarado a offshore Venilson \u00e0s autoridades brasileiras.<\/p>\n<p>Milton Lyra havia ganhado notoriedade em 2015, quando o senador Delc\u00eddio do Amaral (ex-PT-MS) foi preso numa das fases da opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. Um bilhete apreendido na casa de Diogo Ferreira, ent\u00e3o chefe de gabinete de Delc\u00eddio, falava de uma suposta propina de R$ 45 milh\u00f5es. Lyra \u00e9 citado nesse contexto nas mesmas anota\u00e7\u00f5es \u2013e nega qualquer tipo de conex\u00e3o com essa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>OUTRO LADO<br \/>\nEm resposta \u00e0 PF, a Global Gest\u00e3o em Sa\u00fade afirmou que os repasses de R$ 7,5 milh\u00f5es eram referentes \u00e0 compra de deb\u00eantures emitidas pela Medicando Internet e Comunica\u00e7\u00e3o, de Milton Lyra. A empresa apresentou 2 contratos de compra, cada um no valor total de R$ 3,75 milh\u00f5es, valor transferido em 25 de fevereiro de 2013.<\/p>\n<p>Procurada pela reportagem, a assessoria de Renan Calheiros disse que o senador jamais teve neg\u00f3cios com Milton Lyra e s\u00f3 descobriu Maximiano durante as investiga\u00e7\u00f5es da CPI.<\/p>\n<p>Em nota, a defesa de Francisco Maximiano afirmou que o empres\u00e1rio n\u00e3o foi denunciado e nem condenado e que todas as opera\u00e7\u00f5es de suas empresas s\u00e3o regulares. Eis a \u00edntegra da manifesta\u00e7\u00e3o recebida pelo Poder360:<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de um inqu\u00e9rito que se arrasta h\u00e1 mais de seis anos, sem quaisquer ind\u00edcios de irregularidades. Francisco Maximiano n\u00e3o foi condenado, nem sequer denunciado pelas autoridades. Todas as opera\u00e7\u00f5es financeiras feitas por Francisco Maximiano e suas empresas s\u00e3o regulares e ele est\u00e1, como sempre esteve, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das autoridades. Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, advogados de Francisco Maximiano\u201c.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PF apura liga\u00e7\u00e3o entre dono da Precisa e suposto operador de Renan Global Gest\u00e3o em Sa\u00fade, cujo presidente \u00e9 Francisco Maximiano, teria transferido R$ 9 milh\u00f5es para empresa de Milton Lyra. 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