{"id":1697,"date":"2021-10-04T09:51:28","date_gmt":"2021-10-04T12:51:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.programapodcast.com.br\/v1\/?p=1697"},"modified":"2021-10-04T10:51:41","modified_gmt":"2021-10-04T13:51:41","slug":"bolsonaro-supera-trump-no-poder-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.programapodcast.com.br\/v1\/2021\/10\/04\/bolsonaro-supera-trump-no-poder-digital\/","title":{"rendered":"Bolsonaro supera Trump no poder digital e isso pode ser decisivo nas elei\u00e7\u00f5es 2022"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong>Jair Bolsonaro<\/strong>\u00a0idolatra\u00a0<strong>Donald Trump<\/strong>, mas superou o ex-presidente americano justamente na \u00e1rea onde ele era magistral. Depois de perder as elei\u00e7\u00f5es, Trump foi expulso do Facebook e do Twitter e virou um zumbi. A sua rela\u00e7\u00e3o com a ultraconservadora Fox News azedou, as novas plataformas digitais de extrema direita n\u00e3o engrenaram e, embora continue majorit\u00e1rio no partido Republicano, \u00e9 vis\u00edvel que Trump perdeu a capacidade de intimida\u00e7\u00e3o p\u00fablica que mantinha tantos pol\u00edticos como seus ref\u00e9ns. Mas se amanh\u00e3, o Facebook e o Twitter expulsarem Bolsonaro, o efeito ser\u00e1 quase nulo. A rede bolsonaristas \u00e9 mais complexa e protegida do que a de Trump.<\/p>\n<p>Ao longo de 2017 e 2018, o filho 02 Carlos Bolsonaro organizou milhares de correntes de Whatsapp para distribuir material de campanha. Como \u00e9 quase imposs\u00edvel rastrear a origem e a quantidade de pessoas atingidas por um post, a rede corre por um sistema paralelo das outras m\u00eddias sociais. Quando distribui os primeiros posts pela manh\u00e3, nem mesmo Carlos sabe quantas pessoas ir\u00e3o ler, mas erra pouco quem estimar o canh\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o bolsonarista na casa das dezenas de milh\u00f5es. (As regras de restri\u00e7\u00e3o de n\u00famero de grupos tomadas pelo Facebook, dono do WhatsApp, em 2019 s\u00f3 atingem c\u00edrculos criados depois da nova regra).<\/p>\n<p>Comparada com o time de Lula, Doria ou Ciro, o profissionalismo da m\u00e1quina digital bolsonaristas \u00e9 a Alemanha contra o Brasil em 2014. Um exemplo: neste ano, o bolsonarismo come\u00e7ou a reproduzir seus materiais em canais no Telegram, o aplicativo que mais cresce no Brasil. O canal do presidente Bolsonaro no Telegram tem sozinho t950 mil seguidores, Lula tem 35 mil, Ciro 18 mil Essa goleada se repete em outras plataformas.<\/p>\n<p>Como o twitter \u00e9 a plataforma com dados mais transparentes, o monitoramento de muitas ag\u00eancias digitais se baseia apenas nesta rede. \u00c9 um erro porque o twitter no Brasil \u00e9 de longe a rede mais elitista e menos influente. Enquanto os tuiteiros tretam, o mundo de verdade se passa no Youtube, no Instagram e no Facebook. Pesquisa da ag\u00eancia Quaest, que engloba as tr\u00eas plataformas, mostra que o alcance de Bolsonaro \u00e9 duas vezes maior que dos advers\u00e1rios.<\/p>\n<p>As redes sociais s\u00e3o apenas uma parte da m\u00e1quina de comunica\u00e7\u00e3o bolsonarista. As mais influentes est\u00e3o nos apoios ostensivos ao presidente nas coberturas das TVs abertas Record e SBT, que juntas tem 30% da audi\u00eancia.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads\"><\/div>\n<p>Pesquisas encomendadas pela Reuters Institute for the Study of Journalism e Universidade de Oxford comparando a credibilidade da m\u00eddia nos Estados Unidos, Reino Unido, \u00cdndia e Brasil \u00e9 reveladora do potencial da mensagem de Bolsonaro. No Brasil, a pesquisa foi feita pelo Datafolha com 2.050 entrevistas entre maio e junho e mostrou um quadro animador para o ecossistema noticioso bolsonarista.<\/p>\n<p>Os entrevistadores apresentaram uma lista com 15 ve\u00edculos de m\u00eddia e seis plataformas para comparar a credibilidade cada um. A soma das respostas \u201cconfiam sempre\u201d ou \u201cquase sempre\u201d foi a seguinte:<\/p>\n<p>\u2192 Record 68% \u2192 Google 64% \u2192 SBT 64%<br \/>\n\u2192 Band 64%<br \/>\n\u2192 Globo 59% \u2192 Youtube 58%<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, h\u00e1 uma associa\u00e7\u00e3o direta entre apoiar Bolsonaro e desconfiar da m\u00eddia. Um de cada quatro brasileiros, n\u00e3o confia em nada na m\u00eddia tradicional, considera que os jornalistas fazem reportagens baseadas em suas prefer\u00eancias pol\u00edticas e quase 90% acham que os ve\u00edculos escondem seus erros. A falta de credibilidade da m\u00eddia \u00e9 hoje um dos maiores incentivos do bolsonarismo, como mostam as vendas de cloroquina na preven\u00e7\u00e3o da Covid19.<\/p>\n<p>(Uma curiosidade: o grupo que mais confia nas informa\u00e7\u00f5es da Globo\/Globonews s\u00e3o os brasileiros que se identificam com o PT. 83% dos petistas confiam nas not\u00edcias da Globo, contrariando todo o discurso da c\u00fapula do partido, que inventou o pejorativo \u201cGlobolixo\u201d. Os que menos confiam na Globo s\u00e3o os bolsonaristas).<\/p>\n<p>As Redes de WhatsApp e Telegram e apoio ostensivo de redes de TV aberta tornam o presidente quase imune \u00e0 puni\u00e7\u00f5es das plataformas e da Justi\u00e7a eleitoral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jair Bolsonaro\u00a0idolatra\u00a0Donald Trump, mas superou o ex-presidente americano justamente na \u00e1rea onde ele era magistral. 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