{"id":12821,"date":"2024-11-30T20:14:13","date_gmt":"2024-11-30T23:14:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.programapodcast.com.br\/v1\/?p=12821"},"modified":"2024-11-30T20:16:24","modified_gmt":"2024-11-30T23:16:24","slug":"bahia-tem-quase-2-milhoes-de-pessoas-passando-fome-indica-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.programapodcast.com.br\/v1\/2024\/11\/30\/bahia-tem-quase-2-milhoes-de-pessoas-passando-fome-indica-estudo\/","title":{"rendered":"Bahia tem quase 2 milh\u00f5es de pessoas passando fome, indica estudo"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\">A Bahia tem cerca de 11% da sua popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de fome, segundo dados do II Inqu\u00e9rito Nacional da Inseguran\u00e7a Alimentar no Brasil no Contexto da Covid-19 (VIGISAN) realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Penssan), em 2022. Embora o estado tenha um contingente de 1,7 milh\u00e3o de pessoas com fome, a Bahia apresenta um \u00edndice melhor do que o do Brasil, que \u00e9 de 15,5% de pessoas em inseguran\u00e7a alimentar, e o do nordeste, que \u00e9 de 21%.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\">Os dados da pesquisa da Rede Penssan n\u00e3o mostram claramente o motivo de a Bahia ter atingido tais \u00edndices. \u00c9 o que aponta Silvio Porto, ex-diretor de Pol\u00edtica Agr\u00edcola e Informa\u00e7\u00f5es da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Porto tamb\u00e9m j\u00e1 foi membro do Conselho Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar (Consea) e participou da equipe que elaborou o programa Fome Zero. Atualmente, \u00e9 professor do curso de Educa\u00e7\u00e3o do Campo da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB).<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-12824 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.programapodcast.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/cf3b2f477fdfabecc81bd6acb51abe39.jpg\" alt=\"\" width=\"770\" height=\"359\" srcset=\"https:\/\/www.programapodcast.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/cf3b2f477fdfabecc81bd6acb51abe39.jpg 770w, https:\/\/www.programapodcast.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/cf3b2f477fdfabecc81bd6acb51abe39-300x140.jpg 300w, https:\/\/www.programapodcast.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/cf3b2f477fdfabecc81bd6acb51abe39-768x358.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\">O pesquisador destaca, no entanto, que \u00e9 poss\u00edvel inferir que o fato de a Bahia ter uma popula\u00e7\u00e3o rural ligada \u00e0 agricultura familiar camponesa contribui para esse cen\u00e1rio. \u201cNo caso espec\u00edfico da Bahia, possivelmente, n\u00f3s temos uma capacidade de autonomia alimentar, ou uma rela\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o e disponibilidade de alimentos nessas resid\u00eancias rurais talvez mais vantajosa. Estou dizendo talvez porque precisaria ser efetivamente aferido\u201d, afirma.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\"><strong>Pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong><br \/>\nSilvio Porto aponta ainda a import\u00e2ncia do papel das pol\u00edticas p\u00fablicas de est\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos para a agricultura familiar camponesa. \u201cH\u00e1 pol\u00edticas p\u00fablicas por parte do estado que v\u00eam contribuindo, como o Pr\u00f3-Semi\u00e1rido, e o trabalho que a Articula\u00e7\u00e3o do Semi\u00e1rido (ASA), da Bahia, especificamente, vem desenvolvendo desde 2003\u201d, explica o pesquisador.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\">O Pr\u00f3-Semi\u00e1rido \u00e9 uma pol\u00edtica p\u00fablica do governo do estado da Bahia de est\u00edmulo \u00e0 conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido. Presente em 32 munic\u00edpios do estado, o programa disponibiliza assist\u00eancia t\u00e9cnica e extens\u00e3o rural (ATER) especializada e acesso a pol\u00edtica p\u00fablicas como Luz para Todos, Minha Casa Minha Vida, Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE), al\u00e9m de fomentar as atividades de seguran\u00e7a h\u00eddrica, como armazenamento de \u00e1gua e produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de base agroecol\u00f3gica.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\">Esses tamb\u00e9m s\u00e3o os princ\u00edpios que norteiam a atua\u00e7\u00e3o da ASA, uma rede que congrega organiza\u00e7\u00f5es civis como sindicatos rurais, associa\u00e7\u00f5es de agricultores, cooperativas, ONGs etc., nos dez estados brasileiros que comp\u00f5em o semi\u00e1rido.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\">Uma das principais a\u00e7\u00f5es da ASA, citada por Silvio Porto inclusive, \u00e9 o programa Um Milh\u00e3o de Cisternas, que leva cisternas de armazenamento de \u00e1gua pot\u00e1vel para as propriedades de fam\u00edlias de pequenos agricultores e agricultoras no semi\u00e1rido. \u201cQuando a gente apresenta \u00e0 sociedade o programa Um Milh\u00e3o de Cisternas tendo como primeira a\u00e7\u00e3o a \u00e1gua para beber, naquele momento, a ASA estava apresentando \u00e0 sociedade brasileira e ao Estado brasileiro um programa que garante um elemento fundamental para a alimenta\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es do semi\u00e1rido, que \u00e9 a \u00e1gua de qualidade e em quantidade suficiente para suas necessidades b\u00e1sicas\u201d, explica Kleber F\u00e9lix, membro da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da ASA.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\">\u201cEm segundo lugar, n\u00f3s apresentamos o programa Uma Terra e Duas \u00c1guas, ou \u00c1gua para produ\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, n\u00f3s trabalhamos na perspectiva de que todos os agricultores e agricultoras que vivem no semi\u00e1rido brasileiro t\u00eam direito \u00e0 terra e \u00e0 \u00e1gua para produzir alimento para suas fam\u00edlias, para abastecer as feiras locais e at\u00e9, em determinadas situa\u00e7\u00f5es, poder encaminhar para outros grandes centros do Brasil\u201d, conta F\u00e9lix. Ele ressalta ainda que esses dois programas garantem a produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis no semi\u00e1rido, uma vez que a pr\u00f3pria ASA estimula a produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica nessas unidades familiares.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\">Silvio Porto destaca que \u00e9 essa agricultura camponesa quem produz os alimentos que chegam \u00e0 mesa das fam\u00edlias brasileiras &#8211; o arroz, feij\u00e3o, mandioca, frutas, verduras &#8211; e n\u00e3o o agroneg\u00f3cio, respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o principalmente de commodities, como soja, algod\u00e3o e milho, negociados e vendidos no mercado exterior.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\">\u201cN\u00f3s precisamos reverter essa situa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 que ter uma pol\u00edtica voltada sobretudo para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos b\u00e1sicos, para uma produ\u00e7\u00e3o de alimentos diversificada, agroecol\u00f3gica nos diversos territ\u00f3rios brasileiros. E focar, com isso, em uma pol\u00edtica de abastecimento tamb\u00e9m para a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda das favelas, popula\u00e7\u00e3o de baixa renda das grandes e m\u00e9dias cidades, que s\u00e3o as fam\u00edlias mais afetadas quando comparados os dados de inseguran\u00e7a alimentar, ou dados de fome no Brasil\u201d, explica.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\"><strong>Retrocesso no pa\u00eds<\/strong><br \/>\nPor outro lado, Kleber F\u00e9lix aponta o desmonte das pol\u00edticas p\u00fablicas por parte do governo do atual presidente Jair Bolsonaro como um dos fatores principais para o aumento da fome no pa\u00eds. \u201cExiste uma demanda reprimida no semi\u00e1rido brasileiro de 350 mil fam\u00edlias que n\u00e3o t\u00eam ainda acesso a \u00e1gua de beber e estimamos que 800 mil fam\u00edlias ainda precisam da \u00e1gua para produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Infelizmente, nos \u00faltimos anos o governo federal praticamente destruiu o programa \u00c1gua para Todos. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que mais de 33 milh\u00f5es de brasileiros est\u00e3o morrendo de fome nesse pa\u00eds\u201d, diz F\u00e9lix.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\">Para sair novamente do mapa da fome, Silvio Porto aponta como fundamental a articula\u00e7\u00e3o entre pol\u00edticas p\u00fablicas das tr\u00eas esferas de governo, federal, estadual e municipais. Os munic\u00edpios, por exemplo, s\u00e3o respons\u00e1veis pela articula\u00e7\u00e3o em n\u00edvel local das pol\u00edticas p\u00fablicas, sobretudo na promo\u00e7\u00e3o de feiras agroecol\u00f3gicas e da agricultura familiar, qualifica\u00e7\u00e3o do Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE) a fim de garantir que boa parte do recurso seja efetivamente aplicado na compra de alimentos da agricultura familiar camponesa.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\">O pesquisador Silvio Porto explica ainda que \u00e9 muito importante que haja, nos pr\u00f3ximos anos, uma recomposi\u00e7\u00e3o do valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo, que possibilite \u00e0s fam\u00edlias voltarem a se alimentar adequadamente.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Tahoma\"><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #000000\">\u201cE, junto com isso, uma pol\u00edtica agr\u00edcola efetiva, que fa\u00e7a com que n\u00f3s tenhamos um fomento \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, uma produ\u00e7\u00e3o diversificada em todo o territ\u00f3rio nacional, de forma a diminuir as dist\u00e2ncias entre produ\u00e7\u00e3o e consumo e permitir que as pessoas possam consumir, com qualidade, alimentos frescos, todos os dias, abastecidos principalmente a partir de uma rede de abastecimento popular que chegue at\u00e9 as grandes cidades. E, dessa forma, n\u00f3s possamos democratizar o acesso aos alimentos, democratizar a economia e reverter a l\u00f3gica do desenvolvimento concentrado nas grandes corpora\u00e7\u00f5es\u201d, finaliza.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Bahia tem cerca de 11% da sua popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de fome, segundo dados do II Inqu\u00e9rito Nacional da Inseguran\u00e7a Alimentar no Brasil no Contexto da Covid-19 (VIGISAN) realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Penssan), em 2022. 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