Economia
Preço do boi gordo dispara no Brasil e preocupa consumidores; Éder Rezende analisa cenário no programa “Na Boca do Povo”
Empresário e produtor rural destaca fatores globais que influenciam o mercado da carne e defende mais incentivo ao agro brasileiro

O aumento no preço do boi gordo e seus reflexos no valor da carne consumida pelos brasileiros foram temas centrais da entrevista concedida pelo empresário e produtor rural Éder Rezende, do Rancho R3, no programa Na Boca do Povo – Especial de Sábado, apresentado por José Elias Ribeiro, na Rádio Fascinação FM.
Durante a conversa, Éder apresentou uma análise detalhada sobre o mercado da pecuária no Brasil e explicou por que, mesmo com o crescimento do rebanho bovino nacional, o preço da carne continua subindo.
Logo no início da entrevista, ele destacou que o mercado da carne é complexo e influenciado por fatores globais.
“Falar sobre o preço de qualquer commodity é muito complicado, porque são muitas variáveis. Hoje o mercado é globalizado. O que acontece na China, nos Estados Unidos ou nos grandes produtores do mundo influencia diretamente no preço do boi no Brasil.”
Segundo Éder, embora o país possua um dos maiores rebanhos bovinos do planeta — estimado em cerca de 240 milhões de cabeças — ainda há grande espaço para crescimento da produtividade.
“O Brasil tem mais de 240 milhões de cabeças de gado, enquanto os Estados Unidos têm cerca de 98 milhões. Mesmo assim, eles ainda produzem mais carne que nós. Isso mostra que o Brasil tem muito potencial para crescer.”
Tecnologia e confinamento impulsionam a pecuária
Outro ponto destacado pelo empresário foi o avanço tecnológico que vem transformando a pecuária brasileira, principalmente em regiões consideradas improváveis para criação de gado no passado, como o Oeste da Bahia.
Segundo ele, o uso de capins híbridos, silagem e confinamento permitiu que áreas antes pouco produtivas se tornassem polos importantes da pecuária.
“A tecnologia mudou completamente a pecuária. Hoje existem variedades de capim híbrido e técnicas de confinamento que permitem criar gado em regiões onde antes era praticamente impossível.”
Éder explicou que o confinamento é fundamental para garantir produtividade durante períodos de seca.
“Quando chega a época em que o pasto diminui, o produtor tira o gado do campo e coloca no confinamento. Isso garante alimentação adequada e mantém a produtividade.”
Exportações e mercado internacional pressionam preços
Outro fator decisivo para o aumento do preço da carne, segundo Éder Rezende, é a expansão das exportações brasileiras.
“Antigamente o Brasil exportava cerca de 18% ou 20% da produção. Hoje estamos chegando perto de 40%. Quando aumenta a exportação, naturalmente há pressão no preço interno.”
Mesmo assim, ele explica que o mercado de proteínas continua aquecido no mundo todo.
“O consumo de proteína no mundo tende a crescer cada vez mais. A população está vivendo mais e a medicina hoje recomenda uma ingestão maior de proteína para garantir saúde e qualidade de vida.”
Carne bovina tende a ser a proteína mais cara
Na avaliação do produtor rural, a carne bovina continuará sendo a proteína mais valorizada no mercado global, principalmente por causa do ciclo de produção mais lento do gado.
Ele fez uma comparação direta com outras cadeias produtivas.
“Uma vaca produz apenas um bezerro por ano. Já uma porca pode produzir mais de 35 leitões por ano e uma galinha produz muito mais proteína em menos tempo. Por isso a carne bovina sempre terá um custo mais alto.”
Por causa dessa diferença de produtividade, ele acredita que o preço da carne bovina seguirá em trajetória de valorização.
“Produzir carne de boi é caro. Por isso, no longo prazo, a carne bovina tende a ser a proteína mais cara do mundo.”
Políticas públicas e burocracia também impactam o agro
Durante a entrevista, Éder também destacou que a burocracia e a falta de incentivos dificultam o crescimento da produção agropecuária.
Ele citou, por exemplo, a demora na liberação de licenças ambientais.
“Existem áreas que poderiam ser utilizadas legalmente para produção, mas o produtor espera anos por uma licença ambiental. Se houvesse mais agilidade e incentivo, poderíamos produzir muito mais.”
Mesmo com essas dificuldades, ele destacou a força do agronegócio brasileiro.
“Mesmo com tantos obstáculos, o agro continua crescendo. Imagine se tivéssemos mais incentivo.”
Debate relevante para consumidores e produtores
A entrevista gerou grande repercussão entre os ouvintes do programa, principalmente por abordar um tema que afeta diretamente o bolso da população: o preço da carne.
Com conhecimento técnico e experiência no setor, Éder Rezende trouxe uma análise abrangente do mercado, reforçando a importância do agronegócio para a economia regional e nacional.
O debate mostrou que o preço da carne vai muito além da simples relação entre oferta e demanda, envolvendo fatores globais, tecnologia, exportação e políticas públicas.
































